"DEVE-SE TER EM MENTE QUE NÃO HÁ NADA MAIS DIFÍCIL DE EXECUTAR, NEM DE PROCESSO MAIS DUVIDOSO, NEM MAIS PERIGOSO DE CONDUZIR DO QUE INICIAR UMA NOVA ORDEM DE COISAS".

domingo, 20 de abril de 2008

A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA


O que é beleza?

Texto de: João Francisco Duarte Júnior

A beleza não é uma qualidade objetiva que certos objetos possuem. A beleza não se encontra nas coisas, não é um certo atributo objetivo que determinados objetos detêm e outros não. Poderíamos pensar que a beleza seja produzida “no interior” do ser humano, que ela nasça exclusivamente em nossa consciência, entretanto a beleza não nasce e vive em nossa consciência por si própria. Ela não se encontra no objeto em si mesmo, nem isoladamente nos sujeitos humanos.
Segundo João, a beleza habita a relação. A relação que o sujeito (com uma determinada percepção) mantém com um objeto.
Para referir-se a obra de arte e para que ela é construída, o autor cita Sussane Langer, que afirma – a arte é a criação de formas perceptivas expressivas do sentimento humano. A arte é sempre a criação (ou construção) de formas. Toda obra de arte é uma forma acabada, seja ela estética ou dinâmica. A arte dirige-se fundamentalmente às faculdades perceptivas humanas (e não às intelectivas).
Uma obra de arte simboliza apenas e tão-somente os sentimentos que existem nela própria: ela não nos transmite um conceito, idêntica para todos. Por isso ela é quase um símbolo que não nasce de uma rígida convenção, como é o caso da linguagem. O que uma obra nos exprime, o que ela nos permite é contempla os sentimentos por meio de formas que guardam uma relação de analogia com eles.
Segundo o autor, enquanto a ciência busca chegar o mais perto possível do extremo da comunicação. A arte, pelo contrário, busca estar o mais próximo do pólo da expressão. Não se pode dizer o significado de uma obra, não se pode exprimir aquilo que há nela de outra forma, a não ser por ela própria; não existem sinônimos no caso da arte. Nos domínios da arte, uma pequena alteração em sua forma altera o sentido da obra. A arte significa apenas aquilo que existe em suas formas perceptivas, e que não pode ser expresso de nenhuma outra maneira. Na arte não existe um “conteúdo” que possa ser expresso (identicamente) de várias maneiras: a forma é o próprio conteúdo.
João Francisco afirma que, o que ocorre numa experiência estética é que nossos sentimentos são tocados, são despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos.
Segundo Umberto Eco, esteta italiano, citado pelo autor, diz que a obra de arte é “aberta”: ela é aberta para que cada um complete o seu sentido. Se na comunicação as ambigüidades devem ser evitadas, na arte (uma forma altamente expressiva), pelo contrário elas são desejadas.
Uma experiência estética deve fazer pensar; uma obra de arte é (para nós) uma grande obra enquanto permanece “em nossa cabeça” após fruída.
Uma obra de arte é apreendida em si própria: nós neutralizamos todo o contexto ao seu redor.

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