O que é beleza?
Texto de: João Francisco Duarte Júnior
A beleza não é uma qualidade objetiva que certos objetos possuem. A beleza não se encontra nas coisas, não é um certo atributo objetivo que determinados objetos detêm e outros não. Poderíamos pensar que a beleza seja produzida “no interior” do ser humano, que ela nasça exclusivamente em nossa consciência, entretanto a beleza não nasce e vive em nossa consciência por si própria. Ela não se encontra no objeto em si mesmo, nem isoladamente nos sujeitos humanos.
Segundo João, a beleza habita a relação. A relação que o sujeito (com uma determinada percepção) mantém com um objeto.
Para referir-se a obra de arte e para que ela é construída, o autor cita Sussane Langer, que afirma – a arte é a criação de formas perceptivas expressivas do sentimento humano. A arte é sempre a criação (ou construção) de formas. Toda obra de arte é uma forma acabada, seja ela estética ou dinâmica. A arte dirige-se fundamentalmente às faculdades perceptivas humanas (e não às intelectivas).
Uma obra de arte simboliza apenas e tão-somente os sentimentos que existem nela própria: ela não nos transmite um conceito, idêntica para todos. Por isso ela é quase um símbolo que não nasce de uma rígida convenção, como é o caso da linguagem. O que uma obra nos exprime, o que ela nos permite é contempla os sentimentos por meio de formas que guardam uma relação de analogia com eles.
Segundo o autor, enquanto a ciência busca chegar o mais perto possível do extremo da comunicação. A arte, pelo contrário, busca estar o mais próximo do pólo da expressão. Não se pode dizer o significado de uma obra, não se pode exprimir aquilo que há nela de outra forma, a não ser por ela própria; não existem sinônimos no caso da arte. Nos domínios da arte, uma pequena alteração em sua forma altera o sentido da obra. A arte significa apenas aquilo que existe em suas formas perceptivas, e que não pode ser expresso de nenhuma outra maneira. Na arte não existe um “conteúdo” que possa ser expresso (identicamente) de várias maneiras: a forma é o próprio conteúdo.
João Francisco afirma que, o que ocorre numa experiência estética é que nossos sentimentos são tocados, são despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos.
Segundo Umberto Eco, esteta italiano, citado pelo autor, diz que a obra de arte é “aberta”: ela é aberta para que cada um complete o seu sentido. Se na comunicação as ambigüidades devem ser evitadas, na arte (uma forma altamente expressiva), pelo contrário elas são desejadas.
Uma experiência estética deve fazer pensar; uma obra de arte é (para nós) uma grande obra enquanto permanece “em nossa cabeça” após fruída.
Uma obra de arte é apreendida em si própria: nós neutralizamos todo o contexto ao seu redor.
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